O que é ser Coordenador Pedagógico na Rede do Recife?

25/08/2011 20:58

 

 

 

O documento abaixo foi criado pelos Coordenadores e a Gerência de 1º e 2º ciclos em 2007

 
PAPEL DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO[1]
 
A política educacional adotada pela Prefeitura do Recife vem sendo concretizada dentro de princípios que aliam o acesso da população à qualidade dos processos de ensino-aprendizagem. Esse aspecto pode ser percebido pela organização do ensino em ciclos de aprendizagens e implantação  do ensino fundamental obrigatório de nove anos, iniciando-se aos seis anos de idade.
Esse modelo de organização curricular impõe a ruptura com práticas pedagógicas consolidadas e sustentadas na cultura de avaliação classificatória, de fragmentação do conhecimento e da repetência escolar. Como conseqüência, a trajetória da aprendizagem do estudante é associada às oportunidades pedagógicas a ele oferecidas, criando-se uma relação de co-responsabilização envolvendo escola, professores e estudante pelo sucesso ou insucesso acadêmico deste último.
Nesse processo de muitas reflexões, inicia-se uma política de formação e de acompanhamento escolar, vinculada ao processo de ensino-aprendizagem, para o desenvolvimento integral dos estudantes, desencadeando a criação de tempo/espaço escolar para momentos de estudo/formação dos professores de 1º e 2º ciclos junto aos cordenadores pedagógicos, sem prejuízo de carga horária dos alunos e, consequentemente, no estabelecimento de uma rotina de trabalho de coordenação pedagógica com objetivo de qualificar seu apoio aos professores no cotidiano das escolas.
Essa rotina inclui encontros mensais e/ou semanais para estudos/formação continuada e/ou socializações de experiências entre os pares, dando origem ao debate sobre as atribuições do coordenador pedagógico na rede municipal de ensino.
Cientes de que essa função se caracteriza de acordo com a política pedagógica de cada rede de ensino, criou-se um  Grupo de Trabalho, composto por representação dos professores-coordenadores em articulação com a Gerência de 1º e 2º Ciclos de Aprendizagem, com o objetivo de sistematizar reflexões, discussões e proposições coletivas.
O presente trabalho compreende quatro itens que se relacionam em seus argumentos: 1) A organização curricular em ciclos de aprendizagem e o coordenador pedagógico;  2) O papel e as atribuições do coordenador pedagógico na rede municipal do Recife; 3) Referências para questões funcionais; 4) Proposições finais.
1. A ORGANIZAÇÃO CURRICULAR EM CICLOS DE APRENDIZAGEM E O COORDENADOR PEDAGÓGICO
 
A política educacional do município do Recife está pautada em princípios éticos como o cultivo à solidariedade, liberdade, participação e justiça social com vistas à qualidade de vida coletiva.
Organizar o ensino e a aprendizagem de forma eficaz é um dos objetivos dessa política educacional e se expressa, dentre outras ações, na implementação da educação escolar em ciclos de aprendizagem e a extensão do ensino fundamental obrigatório para nove anos, iniciando aos seis anos de idade, a partir de 2001.
Essa medida trouxe como conseqüência a discussão e reflexão sobre a necessidade de se romper com as práticas pedagógicas consolidadas na rede municipal, sustentadas na cultura do trabalho individual e classificatório, da fragmentação do conhecimento e da repetência escolar, característicos do sistema seriado.
Os ciclos de aprendizagem apontam para a reorganização do espaço e do tempo escolar e da prática pedagógica, bem como a atualização do currículo que contemple as atividades, as dinâmicas e as relações contidas no âmbito da escola, dentro de princípios definidos, como: a) da igualdade, preconiza o direito dos estudantes ao conhecimento como condição necessária ao seu desenvolvimento; b) do reconhecimento das diferenças, considerando os diferentes ritmos e processos particularizados de aprendizagem e de convivência; c) da inclusão que deve garantir o acesso de todos os/as estudantes ao conhecimento; d) da integralidade, definindo ações e objetivos que priorizem a organização do trabalho em situações de aprendizagem; e, e) da autonomia, no sentido de se criar prioridades baseadas em critérios de escolha que com base não apenas no sujeito, mas no que é relevante para a coletividade (Prefeitura do Recife. Secretaria de Educação.Diretoria Geral de Ensino.2003:144-146).
Conseqüentemente, a prática docente deve romper com os agrupamentos seletivos estabelecidos na relação entre docente e estudante, quando o primeiro passa a respeitar o ritmo de aprendizagem de cada um fazendo as intervenções didáticas necessárias a cada situação de desenvolvimento apresentada.
 Nesse processo, a mobilização de recursos didáticos torna-se essencial, exigindo do professor a habilidade de criação de novos recursos, abreviação e análise sobre os já disponíveis refletindo sobre a utilização dos existentes e construindo outras possibilidades.
Mudar a prática docente, nessa perspectiva significa, antes de tudo, assumir uma postura profissional de responsabilização individual e coletiva sobre a aprendizagem de todas as crianças inseridas no contexto escolar do qual o professor/a faz parte. Assim, o professor torna-se peça fundamental de um projeto social e político com um propósito bem mais abrangente – contribuir para a emancipação do cidadão.
Outro aspecto conseqüente para o professor é a perspectiva da reflexão permanente sobre a prática pedagógica, via formação continuada. Segundo Kullok (2000. P.12), “o professor que precisamos é alguém que faça uso da reflexão como uma forma de ação”. Para tanto, é necessário que o professor tenha acesso a uma formação continuada que garanta a aquisição de competências que lhe permitam produzir conhecimento em conformidade com as necessidades reais de cada cotidiano escolar vivido.
Aliados à formação continuada, pautada no cotidiano escolar, há que se considerar a construção coletiva do projeto político-pedagógico da escola e a re-significação de uma proposta curricular que favoreça a continuidade, a interdisciplinaridade e a integração coletiva da escola. Esses aspectos se relacionam a uma política de acompanhamento e apoio contínuo aos professores e estudantes na construção do conhecimento, respeitando-se seu ritmo e tempo de aprendizagem.  Neste sentido, a atuação do/a coordenador/a pedagógico/a é de fundamental importância como mediador/a no processo de interlocução entre os diferentes atores da escola.
Assim, a presença do coordenador pedagógico na rede municipal de ensino do Recife está baseada em sua proposta político-pedagógica que orienta a consolidação/construção da escola, devendo sua prática estar articulada ao contexto social em que vivemos e a busca do trabalho pedagógico eficaz.
 
2. O PAPEL E AS ATRIBUIÇÕES DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NA REDE MUNICIPAL DO RECIFE.
Segundo afirma Saviani: “... para que uma função seja organizada como profissão é preciso que ela seja destacada do âmbito que opera (...) a função é definida, isto é, identifica-se o que é próprio dela e o que a distingue das demais se especificando os seus atributos...”
Nesse sentido o papel do coordenador pedagógico na cidade do Recife é o do sujeito que articula a política educacional do município com o projeto político-pedagógico da escola, constituindo-se o elo entre as ações educativas desenvolvidas no ambiente escolar, os demais sujeitos desse processo e o projeto político pedagógico da instituição em que atua e na qual contribui consideravelmente para sua construção.
 Ele assume o papel de mediador, formador e desencadeador das reflexões e discussões no campo pedagógico através de sua prática e da dos educadores, organizando os meios para a concretização do projeto, e buscando garantir a aprendizagem e desenvolvimento dos alunos.
Consequentemente, deve contribuir para a democratização nas relações sociais da escola, a instalação de uma cultura participativa do planejamento, do acompanhamento e da avaliação da prática pedagógica vividas nas escolas, na articulação entre comunidade e escola.
Cabe ao coordenador, assim como os demais atores da escola, o cuidado com as relações pessoais no ambiente de trabalho, levando em consideração as diferenças individuais, sabendo-se que nem sempre os indivíduos possuem a mesma opinião, a mesma percepção sobre determinada temática, proposta ou problema. É necessário que haja a preocupação com as impressões gerais de todos que participam da escola, devendo-se trabalhar com princípios éticos.
Por outro lado, considerando a “escola uma comunidade em que participam vários atores sociais que nela desempenham papéis ativos, embora diversificados” (Alarcão, 2005, p. 81), o coordenador contribui na organização das rotinas tanto da sala de aula, quanto nas ações que acontecem em seu entorno. O seu envolvimento nessas atividades poderá gerar uma dinâmica e desenvolvimento do projeto pedagógico da escola, permitindo-lhe analisar e refletir sobre as questões cotidianas, sem se deter apenas nas resoluções imediatas das situações, mas tornando-se agente colaborativo e presente na elaboração e realização dos projetos didáticos e das ações da escola.
Compreendendo que o campo de atuação do coordenador pedagógico, envolve questões de currículo, relação ensino-aprendizagem, formação dos professores, avaliação da aprendizagem, recursos didáticos, relações interpessoais, ética, disciplina, relacionamento com a comunidade e as famílias (DGE-SEEL, 2001-2004), destacamos as atribuições inerentes a função:
1.      Articular, com os membros da equipe gestora, os processos pedagógicos mediando à interlocução entre os diferentes atores da escola, a política educacional do município, o projeto político pedagógico da escola e a prática docente com vistas à melhoria da qualidade do processo de ensino e aprendizagem.
2.      Participar de momentos de formação continuada, encontro de coordenadores e grupos de estudo.
3.      Orientar pedagogicamente os professores organizando momentos de formação continuada e socialização de experiências na escola.
4.      Elaborar, junto com os professores e direção, estratégias de ensino e aprendizagem buscando um bom desempenho acadêmico de todos os estudantes.
5.      Planejar, acompanhar e avaliar, junto com os professores, as ações didático-pedagógicas da/na escola periodicamente.
6.      Elaborar sua proposta de trabalho, definindo objetivos, estratégias e metas de acordo com a proposta pedagógica da escola.
7.      Mediar, junto à equipe gestora, a orientação pedagógica aos pais e/ou responsáveis, aos estudantes, professores, estagiários de docência e demais funcionários da instituição.
8.      Coordenar os processos de avaliação e emissão de relatórios em caso de classificação e reclassificação dos estudantes, de acordo com Instrução Normativa da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer.
9.      Coordenar e sistematizar os Conselhos de Ciclo como instância avaliativa do desempenho dos estudantes e da prática pedagógica dos professores.
10.  Analisar, junto à equipe gestora e docentes da escola, o resultado de avaliações internas e/ou externas à escola, elaborando relatórios do desempenho das turmas, como objeto de redirecionamento das práticas pedagógicas.
 
Referências bibliográficas:
ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. e PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza. (Org.). O
Coordenador Pedagógico e o Espaço de Mudança. Edições Loyola, São Paulo, Brasil,2001.
 
ANDRÉ, Marli. O cotidiano escolar, um campo de estudo. In:PLACCO, Vera Maria
Nigro de Souza; e ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. O Coordenador Pedagógico e o Cotidiano da Escola. Edições Loyola, 4ª ed. São Paulo, 2006.
 
COSTA, ,Lindáuria.O Coordenador Pedagógico e o Desempenho do seu Papel na
Escola Pública Municipal do Recife. Olinda, 2004. (Monografia)
 
FUNDAÇÃO LUÍS EDUARDO MAGALHÃES. Padrões de Competência para o
Cargo de Coordenador Pedagógico.
 
GEGLIO, Paulo César. O papel do coordenador pedagógico na formação em serviço. In:PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza; e ALMEIDA, Laurinda Ramalho de. O Coordenador Pedagógico e o Cotidiano da Escola. Edições Loyola, 4ª ed. São Paulo, 2006.
 
LIMA, Hilda Cecília Melo de. O significado das relações interpessoais na prática do coordenador pedagógico. Recife, 2006 (Monografia).
 
LIMA, Vera L. P. Formação continuada de professores: papel do supervisor/coordenador pedagógico. Recife, 2003 (Monografia).
 
Nova Escola. Nº 162, maio/2003
__________ nº 158, dezembro/2002
RANGEL, Mary (org.). Supervisão pedagógica: princípios e práticas. Campinas, SP: Papirus, 2001 (Coleção Magistério: formação e trabalho pedagógico).
 
RECIFE, Prefeitura do. Secretaria de Educação da. Refletindo sobre a Coordenação Pedagógica. Recife, 2004. Digitado.
 
SAVIANI, Dermeval. A supervisão educacional em perspectiva histórica: da função à profissão pela mediação da idéia. In: FERREIRA, N.S. Carapeto (Org.) Supervisão para uma escola de qualidade. São Paulo. Cortez, 2000.
 
VASCONCELOS, Celso. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 2. ed. São Paulo: Libertad, 2002.


 http://coordenadoresdorecife.blogspot.com/2011/03/orientacoes-para-reunioes-pedagogicas_22.html

[1] Texto elaborado por Grupo de Trabalho, ratificado pelos professores que exercem a função de Coordenadores Pedagógicos em encontro realizado dia 12 de novembro de 2007.